A esquizofrenia é  uma doença médica, com sintomas reais e específicos causados por alterações no funcionamento químico do cérebro. É uma doença que geralmente começa entre a segunda e terceira década de vida.

Outros fatores importantes sobre a esquizofrenia são:

• A esquizofrenia é mais comum do que muita gente pensa. Ela afeta 1 em cada 100 pessoas no mundo inteiro.
• A característica principal da esquizofrenia é a ausência de crítica: o paciente não aceita que está doente. Por isso, geralmente é a família que procura ajuda psiquiátrica.
• É uma doença tratável. O diagnóstico precoce e a estabilização dos sintomas com medicamentos melhoram significativamente a chance de recuperação.
O que a esquizofrenia não é:
• A esquizofrenia não é “dupla personalidade”
• Ela não é causada por trauma de infância ou por pais “ausentes”
• A maioria dos esquizofrênicos não são violentos ou perigosos

O que causa a esquizofrenia?

Embora muitos fatores estejam envolvidos na causa da doença, a causa principal parece estar relacionada com alterações na química cerebral. Existe bilhões de neurônios no cérebro. Cada neurônio possui terminais que transmitem e recebem mensagens (sinais) a partir de outros neurônios. Os axônios liberam substâncias químicas, chamados neurotransmissores, que carregam as mensagens de um grupo de neurônio para o outro, ao longo de caminhos específicos, chamados vias nervosas.

Nos cérebros de pessoas com esquizofrenia, há excesso de um neurotransmissor chamado dopamina, em certas áreas do cérebro. Portanto, o cérebro de uma pessoa que tem esquizofrenia recebe muitas mensagens ao longo destas vias nervosas. Estes sinais adicionais competem, de alguma forma, com os sinais transmitidos através de outras vias, e resultam na produção de sintomas psicóticos.

Reconhecendo a doença

O número e a gravidade dos sintomas variam de pessoa para pessoa. No primeiro momento, as mudanças podem ser sutis, leves ou até passam despercebidas. Mesmo no início, quando os sintomas são leves, pode-se notar que o comportamento do paciente é “incomum” e que a pessoa “não é o mesma”. Uma pessoa com vida social normal, pode tornar-se isolado, quieto ou temperamental. As emoções podem ser inadequadas – a pessoa pode rir de uma situação triste, ou chorar com uma piada – ou pode ser incapaz de mostrar qualquer emoção e afeto. Eles parecem “presos” em seus próprios pensamentos, e perdem o interesse nos sentimentos alheios.

Delírios

Delírios são crenças pessoais falsas que não fazem parte da cultura social, e que o paciente mantém mesmo quando outras pessoas apresentam provas de que essas crenças não são verdadeiras ou lógicas. Pessoas com esquizofrenia podem acreditar que alguém está querendo lhe trapacear, agredir, envenenar, espionar, ou conspirar contra ele ou seus familiares.

Pessoas com esquizofrenia podem ter delírios que são bastante bizarros, como acreditar que os vizinhos podem controlar o seu comportamento com ondas magnéticas, as pessoas na televisão estão direcionando mensagens especiais para eles, ou estações de rádio estão transmitindo seus pensamentos em voz alta para os outros. Eles podem pensar que possuem poderes, que são capazes de qualquer coisa, e invulnerável ao perigo. Eles também podem ter uma crença religiosa exagerada e incomum, ou acreditam que têm uma missão pessoal para corrigir os erros do mundo.

Alucinações

A alucinação é a percepção real de um objeto que não existe, ou seja, são percepções sem um estímulo externo. É algo que uma pessoa vê, ouve, degusta, cheira, ou sente e que as outras não. “Vozes” são o tipo mais comum de alucinação na esquizofrenia.

Muitos pacientes com a doença podem ouvir vozes que comentam sobre seu comportamento ou várias vozes que conversam entre si, geralmente sobre o paciente. Muitas vezes, as vozes ameaçam ou condenam, mas também podem dar ordens diretas, tais como, “se mate”. Há sempre o perigo de que tais comandos sejam obedecidos. Outros tipos de alucinações incluem ver pessoas ou objetos que não existem, sentir odores que ninguém detecta, ou sentir dedos tocando seus corpos quando ninguém está por perto.

Muitos esquizofrênicos negligenciam higiene básica e podem precisar de ajuda com as atividades da vida cotidiana. Muitas vezes, os familiares não percebem que este é o resultado da doença, e rotulam os pacientes como preguiçoso e irresponsáveis com suas vidas.

Aqui estão mais algumas dicas

• Capacidade diminuída para iniciar e sustentar a atividade planejada
• Hipersonolência ou insônia
• Uso peculiar de palavras ou de estrutura de linguagem estranha
• Escrita excessiva sem significado
• Ser solitário e secreto
• Reações extremas para críticas
• Hostilidade inesperada
• Preocupação extrema com assuntos filosóficos / espirituais / religiosos
• Falar, sorrir ou rir para si mesmo
• Assumir posturas estranhas
• Recusa de tocar pessoas ou objetos / extremamente sensível a ser tocado por outros
• Vestir luvas, óculos de sol, fones de ouvido ou ouvir rádio com chiado sem motivo aparente

As pessoas com esquizofrenia são violentas?

Esquizofrênicos não são propensos à violência. Estudos mostram que as pessoas que não têm registro de violência criminal e/ou abuso de substâncias psicoativas antes de desenvolver esquizofrenia, não são suscetíveis a cometer crimes depois que ficam doentes. A maioria dos crimes violentos não são cometidos por pessoas com esquizofrenia e a maioria das pessoas com esquizofrenia não cometem crimes violentos. Se alguém com esquizofrenia torna-se violento, sua violência, é frequentemente dirigida a membros da família e tende a realizar-se em casa.

Tratamento

Medicamentos são os pilares do tratamento para a esquizofrenia, confira o tratamento clicando aqui.

Dependendo da gravidade dos sintomas e da fase da doença, algumas pessoas com esquizofrenia devem ser tratadas no hospital, especialmente se gravemente doente. Outros podem ser tratados como pacientes ambulatoriais, com visitas regulares ao médico.

Os medicamentos usados para tratar a esquizofrenia são chamados de antipsicóticos, e normalmente são administrados em forma de comprimido ou cápsula. As pessoas que apresentam surtos de agitação e agressividade e não aceitam as medicações, são tratados com medicamentos injetáveis. Alguns pacientes que não aceitam o tratamento após as crises podem ser medicados com medicamentos injetáveis de depósito.

Duração do tratamento

Assim como diabetes ou pressão arterial elevada, a esquizofrenia é uma doença crônica, e a maioria dos pacientes precisa tomar algum tipo de medicação para o resto de suas vidas. Permanecer em acompanhamento e tratamento medicamentoso é essencial para prevenir recaídas. A medicação antipsicótica não deve ser interrompida sem consultar um psiquiatra, e caso seja necessária a mudança de medicação, ela deve sempre ser gradualmente reduzida, sob supervisão de um médico ao invés de ser interrompida de uma só vez.

Recusa de realizar o tratamento e suspensão da medicação por conta própria

Esta é uma situação bastante comum. Pode ser difícil entender por que alguém com esquizofrenia se recusam a tomar a medicação quando a necessidade de fazer isso é óbvio para todos. A razão mais comum é que uma pessoa com esquizofrenia não tem conhecimento sobre a doença, ou seja, não acredita que está doente, por isso, não vê razão para tomar a medicação.

Existem algumas estratégias que podem ser tentadas para garantir que as pessoas com esquizofrenia recebem os medicamentos de que necessitam. Alguns medicamentos estão disponíveis em formas de ação prolongada, injetáveis que eliminam a necessidade de tomar os comprimidos todos os dias. Outra estratégia é a administração de comprimidos de absorção sublingual imediata. Porém, o mais importante, é o diálogo e a vinculação do paciente com o profissional responsável pelo tratamento assim como o suporte fornecido aos familiares.

Qual é o papel da família do paciente?

Há muitas situações em que uma pessoa com esquizofrenia vai precisar da ajuda dos seus familiares:

1. Pessoas com esquizofrenia frequentemente resistem ao tratamento, pois acreditam que seus delírios ou alucinações são reais e que ajuda psiquiátrica não é necessária. Se ocorrer uma crise, a família e os amigos deverão procurar ajuda em nome do paciente.

2. Pacientes que não estão vinculados ao tratamento podem esconder o seu comportamento estranho ou sintomas psicóticos (delírios e/ou alucinações) do psiquiatra, portanto os membros da família e amigos são valiosas fontes de informações. Se necessário, eles devem falar em particular com o médico antes de o paciente ser examinado, e fornecer informações do comportamento do paciente.

3. Assegurar que os pacientes com esquizofrenia continuem o tratamento psiquiátrico. Se o paciente parar de tomar a medicação ou deixar de ir para consultas de acompanhamento, informe o psiquiatra responsável pelo tratamento.

Como você deve responder quando alguém com esquizofrenia apresenta discursos estranhos ou claramente falso?

Uma vez que estas crenças bizarras ou alucinações são muito reais para o paciente, não será útil dizer que ele está errado ou “louco”. Concordar com o paciente também não será útil. É melhor dizer calmamente que você vê as coisas de forma diferente, mas reconhece que todos têm o direito de ver as coisas à sua maneira. Ser respeitoso, solidário, e não tolerar um comportamento perigoso ou inapropriado é a melhor maneira para abordar as pessoas com esse transtorno

Dr. Gustavo R. C. Quirino
Médico Psiquiatra
CRM-SP: 130.073 / RQE-SP: 36.694