O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma doença muito comum. Dados sugerem que 5% das crianças apresentam o problema. Os meninos são duas vezes mais propensos que as meninas de serem diagnosticados com TDAH.

Embora seja verdade que qualquer criança possa apresentar distração, impulsividade e inquietação, a criança com TDAH, manifesta esses comportamentos com maior frequência e intensidade, prejudicando o aprendizado, o relacionamento social e a qualidade de vida dessas crianças.

Há três subtipos de TDAH: o tipo predominantemente hiperativo (que não mostra desatenção significativa), o tipo predominantemente desatento (que não apresenta o comportamento hiperativo-impulsivo significativo) eo tipo mais comum, denominado misto (que apresenta tanto sintomas de desatenção e hiperatividade-impulsividade).

O tipo misto é mais comum nos meninos e o tipodesatentoé mais comum nas meninas. Portanto, o TDAH é dificilmente diagnosticado em meninas, pois prevalece a falta de atenção, que chama menos atenção dos pais e professores.

O que causa TDAH?

Uma das primeiras perguntas que os pais terão é “Por quê? O que deu errado? Fiz algo para causar isso?”

Nenhuma evidênciacientífica  sugere que o TDAH é resultado de fatores sociais e métodos de educação infantil.

As causas mais fundamentadas parecem cair no campo da genética e da neurobiologia. Isto não quer dizer que os fatores ambientais não influenciam na gravidade da doença, em especial no grau de prejuízo e sofrimento que a criança pode ter, mas que tais fatores não parecem dar origem à condição por si só.

TDAH frequentemente ocorre em famílias, de modo que as influências genéticassão muito importantes na etiologia da doença. Muitos estudos de gêmeos mostram que há uma forte influência genética no transtorno.

Estudos indicam que 25 % dos parentes próximos das famílias de crianças com TDAH, também têm TDAH, enquanto a taxa é de cerca de 5% na população geral.

Há cada vez mais provas de que as variantes do gene para o transportador de dopamina estão relacionadas com o desenvolvimento do TDAH.

Pessoas com TDAH costumam ter níveis relativamente altos do transportador da dopamina, que limpa a dopamina da sinapse (o espaço entre dois neurônios) antes de dopamina realizar o seu pleno efeito.

Consequentemente, a falta da dopamina na região do cérebro responsável pelo controle dos impulsos, hiperatividade e atenção provoca os sintomas do TDAH

O Metilfenidato(Ritalina), um medicamento utilizado para tratar o TDAH, bloqueia a ação do transportador de dopamina, permitindo que o cérebro possa aumentar o efeito da dopamina disponível.

Atualmente, esse é o modelo mais amplamente aceito na etiologia do TDAH pela comunidade médica.

Reconhecendo a doença…

As principais características do TDAH são:desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Esses sintomas, em menor grau de prejuízo, são muito comuns em qualquer crianças na fase pré-escolar e escolar e também são comuns em outras doenças, portanto, é muito importante a criança ser avaliada por um médico capacitado para fazer diagnóstico de TDAH.

Em muitos casos, é um professor que inicia o processo de buscapela ajuda psiquiátrica, informando aos pais que o seu filho(a) está inquieto em sala de aula, deixando de completar as tarefas e prejudicando os outros alunos com o seu comportamento imprudente.

Se oito ou mais dos seguinte sintomas descrevem com precisão o seu filho, particularmente antes dos 7 anos, pode haver razões para suspeitar de TDAH:

  • Inquietações na maior parte do tempo
  • Dificuldade em permanecer sentado
  • Facilmente distraído
  •  Dificuldade para aguardar sua vez em grupos
  • Muitas vezes, deixa escapar as respostas antes das perguntas
  • Tem dificuldade em seguir instruções
  • Tem dificuldade de manter a atenção nas tarefas
  • Frequentemente muda de uma atividade incompleta para outra
  • Tem dificuldade de brincar em silêncio
  •  Fala excessivamente, na maior parte do tempo
  • Frequentemente interrompe ou atrapalha a conversa de adultos
  • Frequentemente parece não ouvir
  • Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas
  • Muitas vezes, se envolve em atividades fisicamente perigosas, sem considerar as consequências

Dificuldades de Aprendizagem

Muitas crianças com TDAH – aproximadamente 25% – também têm uma incapacidade específica de aprendizagem, conhecido como dislexia. Nas crianças em idade escolar, este transtorno se apresenta como dificuldades na leitura, escrita, ortografia ou na aritmética.

O TDAH precisa de tratamento?

Não há dúvida de que o TDAH pode prejudicar a qualidade de vida da criança e dos pais.

Os pais de crianças com TDAH podem ser condenados ao ostracismo por vizinhos e parentes, que lhes culpam, por não conseguir “controlar”a criança.

A escola pode ser uma experiência desastrosa. Frequentemente essas crianças são repreendidas, rotuladas e por servirem de exemplo de mau comportamento, é comum apresentarem baixaautoestima que provoca piora no rendimento escolar.

Crianças com TDAH também são propensos a acidentes, por causa da falta de controle dos impulsos.

Os danos psicológicos são inevitáveis na maioria dos casos. Com dez anos, um terço são hostis e desafiadoras. Com quatorze anos, correm o risco de desenvolver outra doença psiquiátrica, como por exemplo: depressão outranstorno de conduta. Com o tratamento oportuno e adequado, esses resultados indesejáveis ​​podem ser evitados.

Tratamento

A participação e empenho dos professores e pais são primordiais, porém, é importante lembrar que os medicamentos são fundamentais para o tratamento do TDAH.

Cerca de 70% das crianças com TDAH respondem aos medicamentos. O medicamento de primeira linha utilizado para tratar o TDAH é o Metilfenidato (Ritalina)

Em muitas crianças, o medicamento reduz drasticamente a hiperatividade e impulsividade e também melhoram a capacidade de se concentrar, trabalhar e aprender. Os medicamentos também podem melhorar a coordenação necessária na grafia e no esporte.

Este medicamento, quando utilizado com acompanhamento médico, é muito seguro, pois apresenta poucos efeitos colaterais e risco praticamente nulo de dependência.

As terapias complementares são muito importantes no tratamento. A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e o acompanhamento com Psicopedagogia também ajudarão na redução dos sintomas e, principalmente, no ajustamento do paciente com as regras escolares e sociais.

Dr. Gustavo R. C. Quirino

Médico Psiquiatra

CRM-SP: 130.073 / RQE-SP: 36.694